A Sograin, empresa que detém o terminal agro-alimentar de Aveiro, pretende instalar um entreposto na região de Salamanca. Objectivo: abastecer Castela e Leão e responder à “ameaça” do novo terminal do porto de Santander.

Dentro de duas semanas, Nélson Santos, responsável da Sograin, estará em Salamanca para iniciar as conversações com a Zaldesa, sobre a instalação na plataforma logística local de um entreposto, adiantou o próprio ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS.

O projecto já tem mais de um ano de maturação e, inclusivamente, já há um layout e uma análise económico-financeira. Cerca de 2,5 milhões de euros é o investimento previsto para a criação de um entreposto, numa área de 600 metros quadrados, com silos de 1 600 toneladas de capacidade de armazenagem, e capaz de ritmos de carga/descarga de 500/400 toneladas/hora.

Com a Zaldesa, a Sograin pretende no imediato tomar conhecimento das démarches necessárias à concretização do projecto. Mas Nélson Santos não esconde a intenção de estabelecer parcerias, seja com a gestora da plataforma logística de Salamanca, seja com uma empresa distribuidora local.

O entreposto de Salamanca funcionará como um posto avançado da Sograin na região de Castela e Leão. O objectivo primeiro é abastecer aquela região com granéis agro-alimentares importados através do porto de Aveiro e encaminhados para o país vizinho por via férrea. Em Salamanca, far-se-ia a armazenagem e a trasfega para os camiões, para a distribuição.

O processo inverso, o encaminhamento de granéis da região espanhola para exportação por Aveiro, “não é o objectivo primeiro, mas pode ser feito, com um investimento marginal, assim o mercado o peça”, referiu.

A análise económico-financeira aponta para a movimentação de 40 mil toneladas no primeiro ano, 96 mil toneladas no segundo e 150 mil toneladas no terceiro. Nélson Santos lembra que o consumo anual em Castela e Leão ronda os “1,5 a 2 milhões de toneladas” e acredita mesmo que “numa primeira fase poderíamos fazer três comboios/semana de 700-800 toneladas”.

Para ajudar a viabilizar a aposta, a Sograin conta com as sinergias possíveis com outras empresas do grupo Mota-Engil. Desde logo, “a Takargo, que está a estudar o assunto, e asseguraria o transporte feerroviário”, mas também “a Transitex, que poderia assegurar toda a logística”, ou mesmo “a Manvia, que ficaria responsável pela manutenção da infra-estrutura em Salamanca”, destaca Nélson Santos.

Com esta oferta, a Sograin pretende aproveitar a capacidade instalada no porto de Aveiro e também posicionar-se para a concorrência que se adivinha com a próxima entrada em funcionamento do novo terminal de granéis agro-alimentares de Saragoça.

A concretizar-se, a construção do entreposto em Salamanca “poderá fazer-se em três ou quatro meses”. Se tudo correr pelo melhor, a estrutura poderá estar operacional “ainda no final deste ano. Tudo depende do mercado e dos negócios que consigamos fazer”, remata o director da Sograin.

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