O Presidente angolano cancelou a autorização dada em Janeiro para a aquisição de novos aviões para a TAAG. A decisão terá sido pressionada pelo FMI.

Num despacho presidencial a que a “Lusa” teve acesso, João Lourenço reverte as autorizações para a celebração de contratos com a Boeing e Bombardier para a compra de, segundo a imprensa angolana, 15 aparelhos até 2022.

No documento, é também pedido ao Ministério dos Transportes angolano para desencadear os instrumentos para “estruturar e montar a operação de financiamento” para a aquisição de aeronaves e negociar o refinanciamento de
dois Boeing 777-300-ER adquiridos nos últimos anos.

“O ministro das Finanças, em articulação com o ministro dos Transportes, deve dinamizar esforços junto dos vendedores e financiadores com vista a reverter todas as operações financeiras realizadas, bem como minimizar os danos financeiros e reputacionais para o Estado angolano”, lê-se no despacho presidencial 52/19.

Sobre a decisão tomada, a imprensa angolana refere tratar-se de uma imposição do Fundo Monetário Internacional (FMI) durante a missão que realizou a Angola nos últimos 10 dias de Março.

Segundo a imprensa, que cita fontes oficiais, a secretária de Estado para as Finanças e Tesouro, Vera Daves, esteve no passado dia 9 no Ministério dos Transportes para explicar que o FMI considera que a compra dos aviões “colocaria a dívida pública angolana [actualmente em quase 90% do PIB] numa situação insustentável”.

O novo despacho de João Lourenço revoga, assim, o presidencial 12/19, de 14 de Janeiro, no qual, depois de aprovado o plano de reestruturação e modernização da frota da TAAG, autorizou o ministro dos Transportes a celebrar, a partir de 2020, contratos de compra e venda de aeronaves com Boeing e Bombardier.

A medida foi então justificada pelo Presidente angolano com a “transformação e modernização” da TAAG , considerara “um elemento fundamental para a consolidação da política do poder executivo para o sector da
aviação civil angolana”.

João Lourenço argumentou também que a medida foi tomada face à “importância da renovação da frota” da companhia de bandeira de Angola para a “dinamização da sua política empresarial e concretização dos seus objectivos estratégicos”.

Uma informação anterior da administração da TAAG apontava para o objectivo de aquisição, a partir deste ano, de 11 aviões de médio curso, além de aeronaves de última geração do tipo Boeing 787 para as rotas de longo curso.

A decisão tem também como pano de fundo a conclusão das obras de construção do novo aeroporto de Luanda.

A actual frota da TAAG é composta por 13 aviões Boeing, três dos quais 777-300 ER, que foram recebidos entre 2014 e 2016. A companhia conta ainda com cinco 777-200 e outros cinco 737-700, estes utilizados nas ligações
domésticas e regionais.

 

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