A TAAG admitiu hoje, em comunicado, estar em “sérias dificuldades” para cumprir as “obrigações contratuais” com fornecedores e credores, devido à conjuntura em Angola, e em particular à falta de divisas.

A companhia, que está sob gestão da Emirates desde o final de 2015, invoca a “a crise económica que assola a República de Angola”, que tem criado “desequilíbrios financeiros e contabilísticos de forma generalizada” e as dificuldades “no acesso e disponibilidade da moeda estrangeira, particularmente no sector da aviação civil”.

“Os elevados custos operacionais no exterior do país”, diz ainda a TAAG no comunicado enviado à “Lusa”, têm levado a companhia a “enfrentar sérias dificuldades em honrar com as obrigações contratuais junto dos fornecedores e credores”.

Daí que a companhia aposte agora em aumentar as vendas em moeda estrangeira, razão por que deixou de aceitar a moeda nacional angolana, o kwanza, para a compra de viagens no exterior com destino a Luanda.

Na prática, a TAAG segue os passos de todas as restantes companhias internacionais que operam a rota de Luanda, incluindo a portuguesa TAP, que há vários meses deixaram de aceitar kwanzas na compra de passagens para viagens que não se iniciem na capital angolana, face à dificuldade em repatriar divisas.

Só a TAP, segundo o relatório e contas da Parpública, tinha depósitos em Angola no montante de 27,7 milhões de euros, no final de 2015, que estava com dificuldade de repatriar.

Angola é o quinto país do mundo com mais fundos retidos às companhias aéreas, de acordo com uma lista elaborada pela IATA. A lista é liderada pela Venezuela, com 3 180 milhões de dólares retidos (16 meses sem transferir divisas), seguida da Nigéria (591 milhões de dólares, sete meses), Sudão (360 milhões de dólares, quatro meses) e Egipto (291 milhões de dólares, quatro meses). Angola tem retidos 237 milhões de dólares (213 milhões de euros), correspondentes a sete meses de receitas não repatriadas.

 

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