A TAP prevê perder 12 milhões de euros com as obras que a ANA vai realizar no aeroporto de Lisboa e sobre as quais, ainda por cima, tem dúvidas.

Em causa está o encerramento do aeroporto de Lisboa, entre as 23h30 e as 5h30, a partir de Janeiro e até Junho do próximo ano, para a a criação de duas saídas rápidas de pista, numa solução que a TAP contesta e diz não lhe servir.

“A TAP estima que a perda de receita associada ao período de obras no aeroporto se situe em, pelo menos, 12 milhões de euros, fruto da redução ou eliminação dos voos vendidos com ligação em Lisboa e redução do número de passageiros que voam com a TAP, no âmbito do seu modelo de operação como companhia de hub baseado
no Aeroporto Humberto Delgado”, disse o Chief Operating Officer (COO) da TAP, Ramiro Sequeira, à “Lusa”.

O calendário e período de obras anunciados este mês pela ANA foram coordenados entre as várias entidades e as
companhias aéreas, e em resultado disso “já não foram atribuídas faixas horárias para operação durante o período previsto de fecho da pista: 23h30 às 5h30, horas locais, em todas as noites de domingo a quinta-feira, entre os dias
6 de Janeiro e 30 de Junho”.

A TAP concorda com a necessidade de obras no aeroporto em Lisboa, mas nestas especificamente tem “reservas
sobre a solução técnica” das duas saídas rápidas de pista que vão ser construídas, pois devido a questões como a configuração dos seus aviões, por exemplo, “dificilmente irá usar a saída rápida da pista mais utilizada” a pista 03.

“Concordamos que tem que haver obra, tem é que haver a obra certa”, referiu o CCO da companhia aérea.

“O nosso ponto é: se há essa perda de receita, se vamos fazer este esforço e no próximo Verão de 2020 temos a saída rápida que a TAP precisa e que o país precisa, está tudo ‘ok’. A questão é: vai haver a obra, vai haver a supressão de horários, vai haver uma falta de receita de 12 milhões, para algo que depois, em 2020, não vai ter utilidade. Não vai trazer benefícios para a TAP e há-de trazer, talvez, para algumas companhias, mas a ver vamos”, disse.

A TAP “propôs, aos vários stakeholders, que fosse reduzida a duração do fecho nocturno do aeroporto (aliviando assim as perdas por parte dos operadores), ao mesmo tempo que se dilataria o prazo de conclusão das obras, de forma a também permitir a execução da segunda fase [das obras], já reconhecida pela ANA como necessária para a obtenção de maior eficiência nas operações de aterragem e descolagem no Aeroporto de Lisboa”, mas “essa proposta não obteve aceitação” pela ANA, disse Ramiro Sequeira.

O COO da TAP sublinha ainda”que não foram aferidos os potenciais custos, tanto para as diversas companhias aéreas em geral e TAP em particular, como para o país e economia nacional, gerados pela disrupção não planeada durante este mesmo período de obras”.

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  1. Com estas afirmações do administrador delegado da TAP cada vez mais se confirma que não é por pagar salários escandalosos que temos profissionais melhores e mais competentes, ele devia ter encomendado aviões de maior porte para substituir a “velhíssima” frota para que no futuro tivesse menos aviões mas maiores, ou seja, devia não ter encomendado os A321-LR mas mais A330-900 neo !!

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