Confirma-se. Entre 2017 e 2018,a TAP passou de 12 milhões de euros de lucros para prejuízos de 118 milhões.

“Tivemos um prejuízo líquido consolidado de 118 milhões de euros […]. Os resultados vão além do prejuízo, já que a empresa não causa impacto somente através do seu resultado financeiro”, disse o presidente da Comissão Executiva da TAP, Antonoaldo Neves.

Por sua vez, a receita do grupo passou de 2 978 milhões de euros, em 2017, para 3 251 milhões de euros, em 2018, traduzindo-se num aumento de 273 milhões de euros, mais 9,1%, face ao período homólogo.

“O ano de 2018 foi difícil para a TAP quer em termos operacionais, quer em termos económicos e financeiros, mas foi um ano que não comprometeu o nosso futuro. Um ano que nos permitiu continuar a criar raízes para que o plano estratégico possa ser implementado como previsto”, indicou, por sua vez, o
presidente do Conselho de Administração da TAP, Miguel Frasquilho.

Crescimento depende da Portela

No futuro, o crescimento do grupo pode ser comprometido se as obras no aeroporto da Portela, cujo início
está previsto para o segundo semestre, não estiverem concluídas até 2021, alertou o presidente da Comissão Executiva.

 

“Se não houver investimento em infra-estruturas, só conseguimos crescer este ano e no próximo. A partir de 2021, o investimento da TAP está comprometido, se as obras não estiveram concluídas”, disse Antonoaldo Neves, após a apresentação de resultados da empresa.

De acordo com o responsável, a TAP, em conjunto com o Governo, a ANA – Aeroportos de Portugal e a Navegação Aérea de Portugal (NAV), desenvolveu um trabalho “para construir consenso” ao redor dos investimentos mais importantes no aeroporto de Lisboa.

Em causa estão, sobretudo, as saídas rápidas e os estacionamentos para os aviões.

“Não há estacionamentos em Lisboa. Estamos com dificuldades operacionais incríveis. Há dias em que não conseguimos tirar os aviões do hangar porque não temos espaço nos estacionamentos”, afirmou Antonoaldo Neves.

Para o presidente da Comissão Executiva da TAP SGPS, “é importantíssimo começar a obra e o fecho de pista”, de modo na que sejam também construídas portas de embarque, para que as ligações entre voos sejam viáveis.

“Estimamos que as obras, associadas ao investimento e à navegação aérea, vão melhorar a pontualidade da TAP em 20 pontos percentuais. Estimamos também que, a partir de 2020, a TAP pode continuar a crescer entre um milhão de clientes e um milhão e meio, por ano”, anunciou.

TAP ME Brasil espera lucro operacional

A TAP Manutenção e Engenharia Brasil, tradicionalmente uma das “culpadas” dos prejuízos do Grupo TAP,  deverá terminar 2019 com lucro operacional e sem necessidade de injecções financeiras da TAP SGPS, após a reestruturação efectuada em 2018 para “acabar com o problema crónico” da empresa.

“Esta reestruturação permite que a TAP ME [Manutenção e Engenharia] Brasil passe a operar, em 2019, sem necessidade de contribuições financeiras pela TAP SGPS e apresentar um orçamento para 2019 que prevê um modesto, mas simbólico, lucro operacional”, refere a Comissão Executiva da companhia aérea numa mensagem
enviada aos colaboradores, a que a “Lusa” teve acesso.

Segundo adianta, o custo não recorrente deste “trabalho persistente” feito ao longo do ano passado na reestruturação da ex-VEM — Varig Manutenção e Engenharia foi de 28 milhões de euros, “uma quantia expressiva para a TAP, mas muito inferior aos 46 milhões de euros que a TAP SGPS teve que transferir, em 2017, para o Brasil a título de cobertura de prejuízos geradas no ano”.

Globalmente, entre 2010 e 2017, a TAP SGPS diz ter transferido para a TAP ME Brasil um total de 538 milhões de euros, a valores nominais, das suas disponibilidades, sendo que em 2018 foram feitas transferências de 30 milhões de euros.

Conforme se lê na carta enviada aos trabalhadores, o “plano de equilíbrio” desenhado para o quadro da TAP ME Brasil face à procura existente naquele país implicou a saída de 944 trabalhadores, passando o efectivo de 1 686 colaboradores, em Dezembro de 2017, para 742, em Dezembro de 2018, e o encerramento da base operacional em Porto Alegre, com concentração dos serviços no Galeão, no Rio de Janeiro.

“Estas saídas foram abrangidas por um programa de demissões, elaborado com o acordo dos sindicatos brasileiros e ratificado oficialmente na Justiça do trabalho, o que permitiu eliminar 34 milhões de euros de contingências laborais e passivo fiscal, segundo avaliação de consultores independentes”, refere.

 

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