O objectivo do novo CEO da TAP de multiplicar por, pelo menos, sete os resultados do Grupo TAP deverá ser alcançado “em três a quatro anos”, confia Humberto Pedrosa, accionista da empresa. Até porque há que financiar os investimentos, acrescenta.

Em 24 de Abril, o presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves, afirmou, numa mensagem enviada aos trabalhadores da companhia aérea, a que a “Lusa” teve acesso, que a empresa tem de “multiplicar por, pelo menos, sete vezes” os “bons resultados” de 2017 – quando passou a lucros de 21,2 milhões de euros – para atingir a média de rentabilidade das congéneres a nível global e assegurar a
sustentabilidade.

“Num horizonte de três, quatro anos temos que atingir esses resultados. São resultados que, normalmente, as boas companhias já têm. E a TAP agora com a frota nova que vai entrar, com as rotas novas que tem – apesar da dificuldade no seu crescimento por causa do aeroporto -, vai tentando. Mas, na realidade, no horizonte de três a quatro anos temos que estar a atingir o que o Antonoaldo [Neves] propôs atingir”, disse Humberto Pedrosa à “Lusa”.

E quanto ao aeroporto do Montijo, numa altura em que é conhecido que o relatório de Impacte Ambiental está concluído, está confiante de que avança. “É tão urgente, que acredito que vai ser uma realidade”, afirmou.

O empresário que, com David Neeleman, integra o consórcio Atlantic Gateway, realça também que já “houve uma viragem na TAP”.

“A TAP ao longo dos últimos anos vinha a acumular prejuízos e na realidade houve uma viragem: passou para resultados positivos. É claro que com o investimento que a TAP vai fazer os resultados ainda não são suficientes. Quer dizer, precisamos de melhorar resultados para fazer face aos investimentos”, sublinhou.

Na mensagem enviada aos trabalhadores da TAP em Abril, Antonoaldo Neves destacou também que o lucro de 21,2 milhões de euros em 2017 alcançado pela TAP SGPS foi “o melhor resultado dos últimos dez anos”, num contexto de “prejuízos acumulados ao longo de muitos anos”, e traduz a “transição para um novo ciclo” de criação de valor na empresa.

Os lucros da TAP SGPS no ano passado contrastam com um prejuízo de 27,7 milhões registado em 2016.

Num contexto em que “todas as empresas participadas pela TAP SGPS contribuíram positivamente para os resultados do grupo” a excepção foi a TAP M&E Brasil, que apresentou um prejuízo operacional antes de impostos e juros de 28 milhões de euros e um prejuízo líquido de 50 milhões de euros. Um quadro que Antonoaldo Neves diz pretender “reverter” através da “melhoria de processos e aumento de eficiência”.

Em 9 de Maio, fonte oficial da transportadora aérea disse à “Lusa” que a assembleia-geral anual do grupo, realizada nesse dia, aprovou os pontos usuais – todos os outros – “designadamente o relatório de gestão e as contas, em
base consolidada e individual, referentes ao exercício que terminou em 31 de Dezembro de 2017”, tendo contado com uma participação superior a 95% do capital social da TAP SGPS.

O consórcio Atlantic Gateway, de Humberto Pedrosa e David Neeleman, detém 45% do Grupo TAP (TAP SGPS), o Estado, através da Parpública, detém 50% e os restantes 5% estão nas mãos dos trabalhadores.

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