Tribunal de Contas arrasa gestão da EDAB e diz ser necessário duplicar o investimento realizado para tornar o aeroporto operacional. Governo, EDAB e autarquia contestam.

A pista do aeroporto de Beja não tem condições para receber aviões comerciais. As obras necessárias para o efeito custarão oito milhões de euros. Para que o aeroporto fique totalmente operacional será necessário investir 39 milhões de euros, a juntar aos 34,5 milhões já aplicados.

Quem o diz é o Tribunal de Contas numa auditoria realizada ao projecto alentejano, que tarda em “levantar voo”.

A instituição liderada por Guilherme d’Oliveira Martins critica a derrapagem nos custos do empreendimento (1,4 milhões de euros a mais que o previsto), a realização da maioria das obras por ajuste directo, a falta de acessos, a inexistência de um plano de negócios e o acumular de passivo por parte da EDAB, a empresa responsável pela gestão e implementação do aeroporto alentejano.

Mas as críticas mais duras, e caras, têm a ver com as deficiências da pista e a necessidade de mais investimentos.

O aeroporto de Beja está praticamente pronto mas, de facto, a certificação atribuída pelo INAC apenas permite a utilização daquela infra-estrutura para o parqueamento de aviões (que ali chegarão e dali partirão sem passageiros), tal como aconteceu aquando ao “Euro” 2004.

Paulo Campos, secretário de Estado das Obras Públicas, rejeitou as conclusões do Tribunal de Contas, dizendo que “não há qualquer derrapagem nas contas. Pelo contrário, há até uma redução” dos custos.

José Queiroz, presidente da EDAB, considerou “ridículos” os números avançados pelo tribunal. Nomeadamente os 39 milhões de euros para tornar operacional o aeroporto. Números avançados pela própria empresa aeroportuária mas que, nas palavras daquele responsável, reportarão a uma fase posterior, de ampliação do actual projecto. Mas também a alegada necessidade de investir na pista.

Jorge Pulido Valente, presidente da Câmara de Beja, estranhou as conclusões e o timing do Tribunal de Contas, contestando mesmo a sua legitimidade para se pronunciar sobre um empreendimento que ainda nem está a funcionar.

De qualquer modo, o autarca alentejano considera que a região já está a ganhar com o aeroporto.

O aeroporto de Beja resulta da adaptação da base aérea local para fins civis. A sua criação foi tida como fulcral para o aproveitamento das potencialidades geradas pelo Alqueva, quer ao nível do turismo, quer da produção de produtos frescos. Mas não só. Beja apostou também em captar operadores logísticos ou mesmo uma companhia “low cost”. Sem esquecer a criação de um “cluster” local dedicado às actividades aeronáuticas.

A inauguração do aeroporto tem sido sucessivamente adiada, apontando-se agora para a primeira metade de 2011. Não se sabe com que valências.

Os comentários estão encerrados.