O transporte ferroviário de mercadorias pela travessia central dos Pirenéus, entre Pau, Canfranc e Saragoça, poderá ser uma realidade em 2027.

A reactivação da ligação ferroviária entre Espanha e França pela fronteira de Canfranc ganha força dos dois lados dos Pirinéus. A consulta pública do projecto poderá avançar já em 2022 e os trabalhos em 2025, de modo a tornar possível a circulação dos comboios ao longo do trajecto de 302 em 2027.

A circulação de comboios de mercadorias nesta ligação com fortes rampas (até 43 mm/m) está interrompida desde Setembro de 1970 na parte superior da linha e desde 1985 no troço Pau-Bedous. No último ano completo de operação da linha, 1969, o tráfego de mercadorias foi de cerca de 160 mil toneladas na direcção França-Espanha e de um pouco menos em sentido contrário.

Mas um “Livro Branco” recentemente apresentado deu conta que dos 85,8 milhões de toneladas de carga terrestre trans-Pirenéus registadas em 2010, dois milhões de toneladas foram transportadas pelos túneis rodoviários de Somport e de Vielha. Desde então, esse tráfego continuou a crescer, aumentando o congestionamento da estrada RN 134 no vale de Aspe. O objectivo passa, portanto, por transferir esses tráfegos – essencialmente, cereais e automóveis – para a ferrovia.

Por agora foi lançado um programa de estudos de reactivação da ligação, com um custo de 8,95 milhões de euros, co-financiado em quase 32% pela União Europeia, através do CEF.

Por agora pouco se sabe sobre o volume de investimento necessário para reactivar a ligaçao trans-Pirenaica. Do lado espanhol, a recuperação da estação ferroviária internacional de Canfranc está praticamente concluída. E subsiste até um serviço de transporte de cereais entre Saragoça e a fronteira. Mas haverá que mudar a bitola e electrificar pelo menos parte do percurso.

Do lado francês, o troço Pau-Bedous é novo, mas falta fazer tudo o mais até Canfranc.

A reabertura desta ligação poderia criar um novo eixo ferroviário entre Bordéus e Valência, acrescentando uma quarta alternativa às travessias já existentes de Hendaye, Cerbère e Barcelona-Perpignan.

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