A Transitex Angola começa a trabalhar oficialmente a 1 de Julho. Em entrevista ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS, Fernando Lima, líder da multinacional, agora presente em 12 países, fala dos planos para aquele mercado africano e dos objectivos do grupo para o exercício.

Fernando Lima - Transitex

T&N – Qual é o objecto do contrato de investimento assinado há dias com o governo angolano?

Fernando Lima – O contrato prevê a criação e abertura de três escritórios da Tranistex em Angola, nomeadamente em Luanda, Lobito e Namibe, através da Transitex África do Sul.

Prevê também o desenvolvimento de armazéns e diversas infra-estruturas logísticas que nos permitam dar resposta aos pedidos dos nossos clientes. O objetivo será a criação de valor acrescentado com o desenvolvimento de terminais em Angola e a criação de estrutura de transportes rodoviários próprios.

T&N – Qual é o montante de investimento previsto, e em que prazo será realizado?

Fernando Lima – Propomo-nos a investir um milhão de dólares no primeiro ano de atividade, o que demonstra que apesar da crise financeira existente acreditamos no mercado e pretendemos fazer a diferença. Este valor poderá depois ser aumentado em função do sucesso da operação, bem como das oportunidades que surjam e das necessidades de mercado que possamos entretanto detetar.

T&N – Que benefícios/incentivos recebe a Transitex do Estado angolano?

Fernando Lima – A Transitex não requereu nenhum incentivo financeiro ou fiscal ao Estado angolano.

T&N – Qual é o objetivo estratégico deste investimento?

Fernando Lima – Em Angola, a Transitex utilizou, nos últimos anos, um agente do grupo Mota-Engil, que funcionava como Transitex Angola. Face ao crescimento da nossa actividade neste mercado, nomeadamente por via da nossa presença no Brasil, África do Sul e agora na China, para além do mercado português, sentimos a necessidade de passar a actuar com marca própria.

Por outro lado, afirmando-se o grupo como cada vez mais global, depois de abertura e consolidação dos escritórios de Moçambique e África do Sul este é o caminho a seguir. Com a presença em Angola, a Transitex garante uma presença em África através do Atlântico e pode replicar a criação e suporte de corredores logísticos para o Congo e Namíbia, tal como feito em Moçambique com os corredores do Malawi e Zimbabwe.

T&N –O que é que será a Transitex Angola, nesta fase de arranque?

Fernando Lima – A Transitex Angola arranca com uma equipa de sete pessoas e com escritórios em Luanda e no Lobito. Namibe virá em 2016, prevendo-se a criação de cerca de 20 postos de trabalho até ao fim do segundo ano de actividade.

Nos 10 países, a nível mundial, com maior volume de trocas comerciais com Angola encontram-se a China, Brasil, Portugal, África do Sul, seguidos de Espanha e Itália, 12º e 17º respectivamente. Estando a Transitex presente nestes seis mercados, vamos fazer seguramente a diferença em operações logísticas com os mesmos, tendo já uma carteira de clientes que nos permite iniciar atividade de forma sustentada.

T&N – Como tem evoluído a actividade da Transitex e qual é o objectivo para este ano?

Fernando Lima – A actividade da Transitex tem evoluído como delineado e, ano após ano, temos cumprido na íntegra com os orçamentos e objectivos traçados.

A nossa é uma actividade dominada a nível global pelas multinacionais com origem nos países com maiores fluxos de carga, com uma enorme predominância do Hemisfério Norte e a Ocidente.

A nossa estratégia tem sido a de evitar pisar terrenos onde não temos nada a acrescentar e apostar no Hemisfério Sul, em concreto na África Austral e América Latina. O volume de negócios que conseguimos assegurar entre estes dois mercados e o sul da Europa, Portugal, Espanha e Itália, correspondem ao que eram as nossas expectativas e onde esperamos continuar a crescer.

Um dado importante que nos confere garantias na forma como trabalhamos, reside no facto de termos já mais de 60% do total de cargas movimentadas asseguradas entre dois escritórios da Transitex.

De acordo com a informação disponível em Maio, vamos este ano voltar  a cumprir com o orçamento global e ultrapassar pela primeira vez os 100 milhões de euros de facturação.

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