Roland Jost, director-geral do transportador rodoviário de mercadorias belga Jost Group, arrisca vários anos de cadeia pela prática de crimes económicos, quase todos relacionados com dumping social.

Jost Group

O Ministério Público belga, que promoveu buscas em 20 escritórios da companhia, acusa Jost de associação criminosa, branqueamento de capitais, falsificação, burla, declarações imprecisas ou incompletas relativas a contribuições sociais, falta de pagamento de contribuições para a segurança social e até mesmo tráfico de seres humanos.

A Justiça belga suspeita que o Jost Group realiza há anos práticas ilegais de contratação de motoristas da Europa de Leste para trabalhar na Bélgica, com as condições de trabalho dos seus países de origem. Os responsáveis ​​pela companhia belga são acusados de terem contratado 1 100 motoristas com recurso às subsidiárias do grupo na Polónia e na Roménia.

As autoridades do país acreditam que, através destas práticas, o Jost Group deixou de pagar 55 milhões de euros para a segurança social belga, apenas entre 2014 e 2016.

Embora tenha sido libertado sob fiança, Roland Jost foi substituído na liderança da companhia, para se concentrar na sua defesa. Eric Demonty assume a liderança do Jost Group durante a investigação. Além de Jost, também foram detidos os directores de recursos humanos e da divisão de transporte da companhia.

Sindicato fala em “ponta do icebergue”

A Jost já emitiu um comunicado em que rejeita as alegações feitas pelo Ministério Público belga, justificando o recrutamento de motoristas estrangeiros pela falta de profissionais naturais da Bélgica. “Trabalhamos com pessoas de outros países europeus como permitido pelo direito comunitário”, refere o comunicado da companhia, cujos responsáveis afirmam ser “altamente conscientes das condições de trabalho dos funcionários”.

Por outro lado, John Reynaert, do sindicato belga ABVV, organização que já tinha acusado o Jost Group de praticar dumping social, congratulou-se com o facto de “finalmente se ter feito algo contra uma companhia” da qual se contam “histórias terríveis de pessoas que nunca vêem as suas famílias porque esperam ganhar muito mais dinheiro na Bélgica e Luxemburgo (onde o Jost Group tem sede social) do que nos países de origem”.

Reynaert considera que essas práticas, além de expulsarem da companhia os trabalhadores belgas, criavam condições muito precárias para os motoristas da Europa de Leste.

O sindicato argumenta que a operação levada a cabo pelas autoridades belgas na semana passada é “apenas a ponta do icebergue”. O ABVV garante ter “uma longa lista de pessoas empregadas por companhias com sede em Bratislava, por exemplo. A esta operação seguir-se-ão muitas mais”.

 

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