A pandemia de Covid-19, que agora afecta mais a Europa e a América do Norte, pode representar uma quebra nunca vista no transporte marítimo de contentores.

A SeaIntelligence Consulting indica que, no âmbito da crise da Covid-19, a possibilidade de uma quebra de 10% no transporte global de contentores está “infelizmente mais próxima da realidade”. Aquela redução equivale a 17 milhões de TEU transportados e 80 milhões de TEU movimentados nos portos.

O CEO da SeaIntelligence, Alan Murphy, recorda que o Goldman Sachs prevê uma impressionante quebra de 24% no PIB do EUA no segundo trimestre do ano, a que acrescem os elevados stocks das companhias. Há ainda a juntar na lista de más notícias para o sector o cenário actual de restrições nos portos em relação a navios com infectados a bordo.

A esperança de que a paragem de produção registada na China quando a pandemia do novo coronavírus surgiu naquele país pudesse ser compensada pelas encomendas posteriores “esbarrou” no espalhar da doença para a Europa.

Scrubbers em risco

Em condições normais, a baixa do preço do petróleo poderia ser uma boa notícia, mas no cenário das novas normas de teor de enxofre no combustível marítimo isso pode representar uma “machadada” nos investimentos.

O declínio nos preços do petróleo levou à redução da diferença de preço entre o óleo combustível com alto teor de enxofre (HFSO) e o óleo combustível com baixo teor de enxofre (LSFO). No início do ano, quando os novos regulamentos de teor de enxofre da IMO entraram em vigor, a diferença era de 300 dólares a tonelada, quando hoje é de apenas 60 dólares. Este facto coloca, portanto, em risco a rentabilização dos avultados investimentos das companhias em scrubbers.

Isto pode, de acordo com a SeaIntelligence, levar várias companhias a cancelar as encomendas de filtros, o que, por sua vez, poderá significar mais navios disponíveis e, em última análise, um acentuado declínio nos preços médios dos fretes. “Isso significa acrescentar mais capacidade num cenário em que a procura está prestes a cair drasticamente”, explica Alan Murphy.

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