O transporte marítimo está a ser lento na implementação de tecnologias que reduzam as emissões de CO2, de acordo com a plataforma internacional de divulgação ambiental CDP.

A CDP divulgou o seu mais recente estudo, em que 18 das maiores companhias de transporte marítimo cotadas em Bolsa são avaliadas em termos de preparação para a navegação de baixas emissões.

As companhias poderão cortar, de forma imediata, as emissões em até 30% recorrendo ao slow steaming, e 13 das 18 companhia analisadas pelo relatório da CDP têm políticas de redução da velocidade comercial. Desde a organização indicam, porém, que essa é apenas uma solução de curto prazo e que pode, além disso, resultar em mais viagens.

A modernização de navios existentes com tecnologias como motores de baixa potência, que podem ser operados em velocidades mais baixas, e novas hélices para melhorar a eficiência e reduzir as emissões são, então, as soluções de curto prazo avançadas pela organização ambientalista enquanto não chegam ao mercado tecnologias verdadeiramente transformadoras.

Só três companhias

A análise da CDP indica que as dinamarquesas Maersk e Norden, juntamente com a sul-coreana HMM, estão a liderar o caminho em termos de definição de metas para reduzir seu impacto em consonância com as metas da IMO para 2050. A IMO, recorde-se, pretende reduzir as emissões de gases de efeito de estufa em 50% até àquele ano.

O relatório salienta, porém, que há uma lacuna entre a disponibilidade de tecnologias neutras em carbono e o que as companhias estão, de facto, a fazer.

Indicam desde a CDP que apenas Maersk, Norden e a japonesa NYK estão a desenvolver tecnologias que poderão transformar o sector. A NYK pretende desenvolver navios com emissões zero até 2050, enquanto os grupos dinamarqueses estão a trabalhar em biocombustíveis de segunda geração produzidos a partir de resíduos como o óleo de cozinha. De uma forma geral, as restantes companhias apenas estão a desenvolver tecnologias e combustíveis que proporcionam ganhos marginais, indica a CDP.

“Para responder às metas da IMO, o sector precisa de impulsionar a colaboração com os fabricantes de embarcações e de tecnologias de transporte marítimo para ter hipótese de cumprir aqueles objectivos”, indica, no relatório, Carole Ferguson, chefe de investigação na CDP.

Procura aumenta pressão

O transporte marítimo representa até 3% das emissões globais e 10% das emissões totais dos transportes – aproximadamente o mesmo que a aviação – e movimenta cerca de 80% do comércio mundial de bens físicos.

A grande questão é que a procura está a aumentar e, de acordo com a OCDE, “as emissões aumentarão entre 50% e 250% até 2050 se nada for feito para melhorar a eficiência”. A CDP recorda que, ainda assim, “o transporte marítimo foi excluído do Acordo Climático de Paris”.

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