Cada vez mais clientes internacionais querem comprar com o transporte incluído, pelo que o transporte e a logística são, cada vez mais, factores de competitividade das empresas exportadoras nacionais. O alerta foi dado por Paula Roque, gestora da Revigrés, no decorrer do seminário “Exportação / Internacionalização no Portugal 2020”, promovido pela Jomatir na sede da AIDA, em Aveiro.

Jomatir

O encontro, que reuniu cerca de uma centena de participantes, entre representantes de empresas do distrito de Aveiro (um dos mais dinâmicos quando se trata de exportações) e de empresas prestadoras de serviços de transportes e logística, visou, precisamente, favorecer a criação de pontes entre uns e outros, destacando a importância dos transportes, da intermodalidade e dos serviços públicos (entenda-se, no caso, as Alfândegas) para a competitividade das empresas.

Na sua intervenção, Paula Roque confirmou, se necessário, a importância da colaboração entre todos os stakeholders referidos. E deixou o desafio / desejo para alargar as soluções de transporte utilizadas pela Revigrés também ao modo ferroviário.

A ferrovia dominou, de resto, de algum modo, o painel dedicado à intermodalidade como factor de competitividade. Duarte Silva (Refer) apresentou, no essencial, o projecto do Corredor Ferroviário de Mercadorias que liga (há-de ligar…) Portugal, Espanha, França e Alemanha. E Nabo Martins (CP Carga) mostrou os bons resultados alcançados pela companhia no ano passado, à custa do crescimento dos tráfegos internacionais e da presença nos portos, e também fruto da multiplicação de pojectos / soluções de transporte de base ferroviária desenhados à medida.

Alves Vieira, ex-presidente executivo da APAT, agora consultor da associação dos transitários, lembrou a tentativa de criação de uma empresa de “ferroutage”, frustrada pela lentidão da decisão da CP. Um contraste com a actual CP Carga, sublinhou.

Do transporte marítimo falaram João Pedro Braga da Cruz e Antonio Belmar da Costa. O presidente da Administração do Porto de Aveiro sublinhou a capacidade de resposta instalada e o potencial de crescimento, quer o que resulta da melhoria das acessibilidades marítimas, quer o que poderá advir da desejada ligação ferroviária à fronteira de Vilar Formoso. Já o director executivo da associação dos agentes de navegação destacou a evolução da actividade, no sentido de integrar cada vez mais operações logísticas na oferta de serviços aos clientes, entenda-se, no caso, os carregadores e recebedores.

Paula Roque interveio no painel dedicado à exportação e internacionalização. E aí foram as questões alfandegárias a dominar. Fernando Pereira, director da Alfândega de Aveiro, e Fernando Carmo, presidente da Câmara dos Despachantes Oficiais, travaram animado diálogo sobre o novo Código Aduaneiro da União, previsto para Maio do próximo ano e com um período de transição que se prolongará até 31 de Dezembro de 2020. Mas convergiram no elogio dos avanços registados na simplificação e desmaterialização de processos (reconhecidos também, de resto, internacionalmente, sublinharam). Que seriam ainda maiores se não fossem “inventados” estrangulamentos.

“Noblesse oblige”, o painel – e o seminário – ficou também marcado pela participação de Pinto Ribeiro, consultor da Jomatir, que fez uma exaustiva apresentação sobre a evolução do comércio mundial e sobre os movimentos de exportação e importação, numa amostra do tipo de serviços de aconselhamento que a empresa de Daniel Pereira se propõe disponibilizar ao mercado.

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