A rede europeia de Alta Velocidade é uma manta de retalhos de linhas nacionais, muitas vezes subaproveitadas, construídas sem critério e com frequentes derrapagens nos custos e no tempo, conclui um relatório do Tribunal de Contas Europeu.

A rede europeia de Alta Velocidade é uma manta de retalhos de linhas nacionais, muitas vezes subaproveitadas, construídas sem critério e com frequentes derrapagens nos custos e no tempo, conclui um relatório do Tribunal de Contas Europeu.

Desde 2000, a União Europeia disponibilizou 23,7 mil milhões de euros em co-financiamento das linhas ferroviárias de Alta Velocidade. O resultado? “Foi construída uma manta de retalhos ineficaz de linhas nacionais mal ligadas”, sintetiza Oskar Herics, o membro do Tribunal de Contas Europeu responsável pelo relatório.

“As linhas de Alta Velocidade que atravessam as fronteiras nacionais não são uma prioridade nacional em termos de construção e a Comissão não tem poderes para fazer executar esses projectos, o que significa que o co-financiamento da UE tem um reduzido valor acrescentado”, acrescenta.

O relatório incidiu sobre 5 000 quilómetros de linhas ferroviárias de Alta Velocidade, ou seja, cerca de metade da actual rede europeia. Os auditores visitaram para o efeito Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha e Áustria.

A análise feita permitiu concluir que a decisão de construir linhas de Alta Velocidade assenta frequentemente em considerações políticas e que as análises custo-benefício não são normalmente utilizadas para apoiar decisões eficazes em termos de custos.

Daí que existam “muitos casos” de linhas de Muito Alta Velocidade onde a velocidade média dos comboios não vai além de 45% do máximo permitido. E que haja outras construídas em zonas sem potencial de passageiros suficiente para serem bem-sucedidas.

369 milhões para poupar um minuto

E depois há os custos. Nas linhas analisadas, o custo médio do quilómetro de linha de Alta Velocidade é de 25 milhões de euros. Mas as derrapagens verificadas pelo Tribunal de Contas ultrapassaram os 30 mil milhões de euros (suportados pelos orçamentos nacionais).

Tudo sopesado, os auditores falam em casos de ligações em que cada minuto de poupança no tempo do percurso custa 100 milhões de euros. Ou 369 milhões de euros, no caso extremo da linha Estugarda-Munique. A solução alternativa de modernizar as linhas convencionais existentes poderia economizar milhares de milhões de euros, sustentam.

E depois há os atrasos. Oito dos 30 projectos auditados registaram atrasos de um ano, pelo menos, e cinco das dez linhas auditadas atrasos de mais de uma década. O relatório conclui, por isso, que embora as redes nacionais de Alta Velocidade estejam a crescer, não será alcançado o objectivo da União Europeia de triplicar a rede actual e chegar aos 30 mil quilómetros em 2030.

Além do que, insistem, permanecem os obstáculos técnicos, administrativos e outros à interoperabilidade ferroviária, impedindo a realização de operações ferroviárias de Alta Velocidade transfronteiriças verdadeiramente contínuas e competitivas na UE.

No capítulo das recomendações, os juízes do Tribunal de Contas Europeu propõem, entre outras, a realização de um planeamento de longo prazo realista, acordos com os estados-membros sobre os troços estratégicos a executar em primeiro lugar para dar coerência à rede europeia e a eliminação dos constrangimentos fronteiriços.

 

Este artigo tem1 comentário

  1. luís pereira

    E queria o louco do Sócrates construir a AV do Porto a Lisboa e a Elvas, a 2ª AE entre Lisboa e Porto e a 3º ponte sobre o rio Tejo, malucos do PS e da geringonça !