Cinco dos principais operadores portuários espanhóis reuniram-se na PIPe – Plataforma de Investimento em Portos para falarem a uma só voz com o governo na busca de melhores condições de investimento.

Os sócios fundadores da PIPe são o Grupo TCB, Bergé, Ership, Noatum e Algeposa. Juntos, operam em 33 dos 46 portos que constituem o sistema portuário do país vizinho.

O momento do nascimento da plataforma não é fruto do acaso. A PIPe surge quando o Executivo de Madrid se prepara para mexer nas condições das concessões portuárias, e desde logo no prazo máximo de duração, que deverá passar dos actuais 35 para os 50 anos.

Os operadores portuários consideram a mudança necessária para viabilizar os investimentos realizados e atrair novos capitais ao mercado portuário. A crise fez baixar os volumes movimentados e obrigou ao congelamento de preços, o que afectou negativamente a rendibilidade e o retorno dos investimentos, sustentam. Desde 2008, a taxa de rendibilidade dos terminais terá caído sete pontos percentuais.

Segundo eles, um em cada três terminais portuários espanhóis está no vermelho. E haverá mesmo casos, por exemplo no porto de Sagunto, de concessionários em processo de falência.

Os concessionários espanhóis reclamam, por isso, uma melhor planificação dos investimentos das autoridades portuárias. E alvitram também a inclusão de cláusulas de reequilíbrio financeiro nos contratos de concessões. Além do mais, sublinham, 70% dos custos operacionais em que incorrem não são por si controlados, referindo-se à estiva e às taxas portuárias.

A sobrecapacidade instalada, mormente nos terminais de contentores, é outra fonte de preocupações para os membros da PIPe, que falam numa taxa de ocupação média na casa dos 40%.

O Grupo TCB assume a presidência (rotativa) da PIPe. Mas para a vice-presidência executiva os operadores portuários recrutaram José Luis Almazán, ex-director geral da Autoridade Portuária de Melila e consultor do fundo australiano Queensland Investment Corporation para a área das infra-estruturas.

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