Cerca de 25% dos transitários portugueses recorreram ao “lay-off” em consequência da Covid-19, de acordo com um inquérito promovido pela APAT.

Os transitários têm estado empenhados desde a primeira hora na criação de soluções de transporte que ajudem ao combate à pandemia de Covid-19, mas nem por isso têm sentido menos as suas consequências negativas, de acordo com os resultados hoje divulgados pela APAT de um inquérito realizado aos seus associados.

Cerca de 25% das empresas do sector viram-se forçadas a recorrer ao “lay-off” de pelo menos parte dos seus trabalhadores, consequência da redução da actividade, em particular a relacionada com os modos aéreo e rodoviário.

Menos volumes para transportar, mas também menos capacidade de transporte (nos modo aéreo e rodoviário, mas também no marítimo com a omissão de muitas escalas) são algumas das “dores de cabaça” apontadas pelos transitários.

A essas se juntam algumas dificuldades que seriam expectáveis – crédito malparado, cobranças difíceis e falta de liquidez de clientes – e outros nem tanto, como a especulação nos preços dos transportes ou a obrigatoriedade de apresentação de alguma documentação em suporte físico junto de instâncias públicas…

A ausência de medidas de apoio específicas para a actividade transitária é uma das razões de queixa apontadas.

Sobre o futuro e as perspectivas de recuperação, os transitários mostram-se divididos, entre os que acham que o levantamento gradual das contingências levará à aceleração da recuperação económica, e aqueles que entendem que, apesar da abertura gradual do mercado, o processo de recuperação será mais difícil e prolongado no tempo. Tudo dependerá, em boa medida, “do que o Governo vier a fazer que medidas de apoio definirá, nomeadamente para as exportações”, refere a APAT.

“Podemos talvez concluir, que apesar de algum optimismo que nos define sempre, porque estamos permanentemente focados em ajudar o país na retoma da actividade e no relançamento da nossa economia, sabemos também que temos de ser cautelosos pois muito dependerá das orientações do Governo e da UE e já não tanto da nossa vontade, esforço e abnegação”, sintetiza António Nabo Martins, presidente executivo da associação, citado em comunicado.

Sem surpresa, quase todas (mais de 95%) as empresas implementaram planos de contingência para proteger os seus trabalhadores e mais de 78% adoptaram o regime de tele-trabalho.

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