As mega-alianças e fusões e aquisições entre operadores de transporte marítimo de contentores aumentam o risco de oligopólio. O aviso é feito no Relatório do Transporte Marítimo de 2017 da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

Cosco + CSCL

O documento refere que o cenário de consolidação “poderá trazer alguma ordem a um mercado que precisa de uma melhor gestão da oferta e uma maior eficiência, melhorando as economias de escala e reduzindo os custos operacionais”.

A concentração tem, porém, avisa a UNCTAD, riscos. Pode ser necessário reformular as regras relativas a consórcios e alianças para, aponta o relatório, equilibrar os interesses de carregadores, portos e transportadores. “O risco é que a crescente concentração do mercado no transporte de contentores possa levar a estruturas oligopolísticas”, avisa Shamika Sirimanne, directora da divisão da UNCTAD responsável por tecnologia e logística.

“Nos mercados de muitos países em desenvolvimento, há agora apenas três ou menos fornecedores [de transporte marítimo de contentores]”, prosseguiu Sirimanne. “Os reguladores precisarão de monitorizar a evolução das fusões e das alianças de transporte de contentores para garantirem que há concorrência no mercado”, reforçou.

Só sete companhias globais

Tendo em conta a iminente fusão das três maiores companhias de transporte marítimo de contentores do Japão e a aquisição da OOCL pela Cosco, no próximo ano haverá apenas sete companhias globais. O número de grandes companhias de transporte de contentores caiu mais da metade na década em curso.

Além disso, o número de alianças nas principais rotas Leste-Oeste diminuiu de quatro, em 2016, para apenas três a 1 de Abril deste ano.

Olaf Merk, especialista em portos e transporte do Fórum Internacional de Transportes na OCDE, notou, no Twitter, em Julho, que, com a compra da OOCL pela Cosco, a quota de mercado das quatro principais operadoras seria de 53,8%. Dados da Drewry Maritime Research citados pelo portal “Splash” mostram que, há dois anos, os quatro principais operadores tinham apenas 40,7% de quota no mercado global.

“A indústria de transporte marítimo de mercadorias tornou-se ‘oficialmente’ num oligopólio”, escreveu Merk.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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