A Companhia Vale do Rio Doce anunciou a compra de 51% do capital da Sociedade de Desenvolvimento do Corredor Norte (SDCN), que opera o corredor ferroviário de Nacala, no Norte de Moçambique, e a rede ferroviária do Malawi.

Do lado vendedor esteve o grupo Insitec, que havia comprado a maioria da empresa a investidores norte-americanos há pouco mais de um ano. Então como agora, o valor do negócio não foi divulgado. Os restantes 49% do capital da SDCN permanecem com a Caminhos de Ferro de Moçambique.

A SDCN controla o denominado Corredor de Nacala, com uma extensão de 872 quilómetros, no sentido longitudinal, entre a fronteira de Moçambique e o porto de Nacala. Além do que, através da Cear (Central East African Railway), explora os 797 quilómetros de vias que constituem a rede ferroviária do Malawi.

A brasileira Companhia Vale do Rio Doce, ou simplesmente Vale, segunda maior empresa mineira do mundo, justifica o investimento com a necessidade de criar as condições logísticas para escoar a produção de carvão do complexo de Moatize, no Norte de Moçambique.

A exploração do minério de Moatize deverá arrancar no primeiro semestre do próximo ano. A primeira fase prevê uma produção anual de 11 milhões de toneladas.

O corredor do Nacala servirá para escoar a produção até ao porto de Nacala, onde a Vale se dispõe a investir também na construção de um terminal de águas profundas. No imediato, a produção de Moatize será escoada pelo porto da Beira, para onde será encaminhada pela Linha do Sena.

A infra-estrutura logística a desenvolver sobre o Corredor do Nacala poderá ainda ser aproveitada pela Vale como alternativa ao escoamento do cobre que a companhia explora na Zâmbia e ainda para o encaminhamento da rocha fosfática de Evate, outro projecto em curso em Moçambique.

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