A produção de veículos comerciais em Portugal está em mínimos da década, por causa da Covid-19. A ACAP pede apoios para o sector.

Entre Janeiro e Maio deste ano, produziram-se em Portugal 17 978 veículos comerciais. Menos 33.1% que no período homólogo anterior e o segundo pior resultado acumulado dos últimos dez anos. A “culpa” é da Covid-19, que forçou o encerramento das unidades produtivas e que, agora, está a limitar o consumo e, logo, a produção.

Nos primeiros cinco meses contaram-se 16 769 comerciais ligeiros (-30,9%), 1 170 pesados de mercadorias (-55,2%) e 39 autocarros (contra nenhum há um ano).

Só em Maio, a produção nacional de veículos comerciais ficou-se pelas 2 871 unidades, no que foi o pior Maio da década mais recente. Foram 2 620 comerciais ligeiros (-44,8&), 242 pesados de mercadorias (-66,3%) e nove autocarros.

Sem surpresa, só a CaetanoBus, única na produção de autocarros, está a crescer este ano face a 2019, mas ainda assim menos do que era esperado, uma vez que as unidades de Vila Nova de Gaia e de Ovar também foram (estão a ser) afectadas pela pandemia.

Entre os outros construtores, a PSA de Mangualde produziu menos 44,2% em Maio e acumula uma quebra de 31,1% nos primeiros cinco meses do ano (isto, só nos comerciais), a Mitsubishi do Tramagal viu a produção de comerciais ligeiros recuar 12% e a de pesados afundar 66% em Maio (55% no year-to-date) e a Toyota Caetano ficou a zeros em Maio e acumula uma quebra de 54,7%.

ACAP pede incentivos e menos IVA

“Sendo Portugal um país onde a indústria automóvel tem um peso muito importante, quer ao nível do emprego, do PIB e das exportações, representando 25% do total das exportações de bens transaccionáveis, é urgente que o Governo português implemente um plano de incentivo à procura no nosso sector, como já fizeram os governos francês, alemão e hoje [ontem] mesmo o espanhol”, considera a ACAP, precisando que este plano deve passar por um incentivo ao abate de veículos em fim de vida, renovando o parque automóvel.

Um tal programa, sustenta a associação, levaria a uma poupança energética na ordem dos 3,2 milhões de litros de combustível por ano, o equivalente a 33 200 barris de petróleo, e a menos 10 800 toneladas de dióxido de carbono (CO2) emitidas anualmente.

Adicionalmente, a associação defende uma redução temporária da taxa do IVA na compra de automóveis.

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