Como se previa, os três mil milhões de euros oferecidos pela Vinci falaram mais alto e o Governo decidiu hoje vender a ANA ao concorrente com menor exposição ao negócio aeroportuário entre os quatro candidatos.

Número um mundial nos negócios da construção e das concessões, o grupo gaulês tem reduzida expressão nos aeroportos. A Vinci explora 12 aeroportos, sendo nove em França (todos regionais) e três no Cambodja. Juntos, representaram no ano passado 8,5 milhões de passageiros e um volume de negócios de 150 milhões de euros.

A ANA é, na verdade, muito maior. No ano passado processou 30,1 milhões de passageiros, realizou um volume de negócios de 424,9 milhões de euros, atingiu um EBITDA de 199,8 milhões de euros e resultados líquidos de 76,5 milhões de euros.

Talvez que resida precisamente aqui, na diferença de dimensão e no salto que a compra permitirá à Vinci, uma das explicações para a forte oferta feita, que acabou por convencer a Parpública, primeiro, e o Governo, hoje.

Na corrida à ANA estavam também a Fraport, com os australianos no IFM; os suíços do aeroporto de Zurique, com os britânicos do GIP e os brasileiros da CCR; e os colombianos da Corporacion América, com mexicanos e portugueses. Todos, com uma maior exposição ao sector a nível mundial.

A Vinci diz-se apostada em tornar a ANA o seu “porta-estandarte” para o sector, e em desenvolver Lisboa como hub para as ligações entre a Europa, a África e a América Latina.

A Vinci acorreu sozinha ao concurso da ANA (por uma questão de tempo, disse), mas os seus responsáveis não descartaram a entrada posterior de outros parceiros. Em Portugal, na área das concessões, o grupo francês é parceiro da Mota-Engil na Lusoponte, de que detém 37%.

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