Se o preço for mesmo o critério mais importante na avaliação das propostas de compra da ANA, os franceses da Vinci já ganharam. Os adversários esperam, todavia, que o Governo olhe também para as propostas estratégicas e para a experiência. Amanhã, no final do Conselho de Ministros, se saberá quem ganhou.

Cerca de três mil milhões de euros é quanto a Vinci oferece pela ANA e pelo monopólio dos aeroportos nacionais. Será, de longe, a oferta mais alta entre as quatro propostas vinculativas entre as quais o Governo terá de decidir.

Com três mil milhões de euros, o Executivo de Passos Coelho pode reduzir o défice deste ano e limpar o passivo da ANA, que ainda ficará com uns mil milhões de euros para abater à dívida. Argumentos de peso em favor da proposta da Vinci, para mais quando o encaixe financeiro é um dos principais critérios para a escolha do vencedor da privatização da gestora aeroportuária.

Mas os outros concorrentes também confiam nos seus próprios argumentos. Desde logo, na experiência acumulada na gestão de aeroportos. A Fraport (que se candidata em parceria com os australianos do IFM) é um dos maiores operadores mundiais. A Corporación América (que se apresenta com mexicanos e portugueses) é líder na América Latina. O consórcio do aeroporto de Zurique (que afinal é controlado pela brasileira CCR e pelo britânico GIP) soma mais de 55 milhões de passageiros. E a Vinci fica-se pelos dez milhões – menos que Lisboa.

A decisão sobre a privatização será tomada amanhã, em reunião de Conselho de Ministros, uma semana depois de ter decidido não vender a TAP ao único candidato.

O vencedor da ANA ficará com todos os aeroportos nacionais e ainda com a responsabilidade de explorar a Portela até ao limite da capacidade de expansão e, depois, promover a construção do novo aeroporto de Lisboa.

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