O presidente da Câmara de Viseu não gostou de saber que será o próximo Governo a decidir sobre a ferrovia Aveiro-Viseu-Vilar Formoso e quer explicações. O presidente da Associação Empresarial da Região de Aveiro pergunta para que se criam expectativas?

Ramal do porto de Aveiro

“As últimas semanas trouxeram-nos notícias contraditórias que espero possam ser ultrapassadas. Depois de sabermos que o Governo candidatou a fundos europeus a concepção da linha Aveiro- Viseu-Vilar Formoso, viemos a saber que, provavelmente, a decisão da sua execução será tomada apenas pelo próximo Governo”, lamentou Almeida Henriques.

Na sessão de abertura do 5.º Congresso Empresarial da Região de Viseu – que contou com a presença do secretário de Estado da Administração Local, Leitão Amaro – o autarca de Viseu recordou que no último ano e meio “construiu-se um amplo consenso nas regiões do Centro e Norte, onde respira o pulmão industrial e exportador do país, a respeito da prioridade absoluta da ligação ferroviária paralela à A25”.

“Empresários, autarcas, gestores portuários do Centro-Norte puseram-se de acordo em relação a esta opção e apresentaram ao Governo estudos e propostas sobre a sua viabilidade. Não se limitaram a fazer lóbi ou a reivindicar. Apresentaram estudos de alternativa que provam a viabilidade desta obra e também a viabilidade do ponto de vista da sua exploração”, apontou.

Na sua opinião, o adiar desta decisão “até pode parecer uma posição sensata em ano eleitoral”. No entanto, realça que a espera para o país real já vai longa e que há custos elevados a pagar por uma não-decisão. “Espera-se que quem venha a seguir decida rapidamente? Será credível que um Governo que entra em funções, logo nos primeiros meses, esteja a tomar uma decisão dessas? Não nos encontramos na iminência de desperdiçar ano e meio de trabalho neste processo, deitando fora o consenso que se gerou?”, questionou.

Também o presidente da AIRV – Associação Empresarial da Região de Viseu, João Cotta, destacou as acessibilidades como cruciais para a região de Viseu, elegendo como necessária a requalificação do IP3 em termos rodoviários. “A ferrovia fará a diferença, tornando-nos mais atractivos para as empresas e para as pessoas. No entanto, tivemos a desagradável notícia de que não será este Governo a tomar a decisão sobre os investimentos ferroviários. Para que servem os anúncios? Para que se criam expectativas?”, alegou.

Em resposta, o  secretário de Estado da Administração Local, Leitão Amaro, relativizou a importância do tema. “As infraestruturas e as comunicações são importantes, assim como a ligação de que o presidente da Câmara de Viseu falou [ferrovia entre Aveiro-Viseu-Vilar Formoso], designada como prioritária pelo Governo. Mas, nem sequer nestes momentos públicos, podemos deixar que se transforme o tema como se fosse a única bóia de salvação”, sustentou.

No final da cerimónia, Almeida Henriques admitiu aos jornalistas ter ficado surpreendido com a resposta do secretário de Estado. “Não vou dizer que a resposta do secretário de Estado não me surpreendeu, até porque não está exactamente em linha com outras intervenções que já fez em Viseu. Mas estou convencido que o bom senso vai imperar, até porque se não estaríamos a transformar todo este Centro Norte numa ilha no contexto ibérico”, concluiu.

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