A West Sea vai construir os seis NPO previstos na Lei de Programação Militar, ainda em discussão na Assembleia da República, “adivinha” o ministro da Defesa.

João Gomes Cravinho esteve hoje em Viana do Castelo, na cerimónia de baptismo do Navio Patrulha Oceânico (NPO) Setúbal, o segundo construído pela West Sea para a Marinha portuguesa.

No final da cerimónia, questionado pelos jornalistas, o ministro da Defesa disse poder “adivinhar” que os seis novos Navio Patrulha Oceânico (NPO), previstos na Lei de Programação Militar, serão construídos nos estaleiros de Viana do Castelo, num investimento de 360 milhões de euros.

“Ainda não se sabe, mas podemos adivinhar. Ainda estamos, primeiro, no processo de aprovação da Lei de Programação Militar. Uma vez tendo essa aprovação na Assembleia da República, será o momento de falarmos com os estaleiros, mas é evidente que Viana do Castelo oferece condições excepcionais. É evidente que queremos que sejam feitos em Portugal e, portanto, como digo, podemos adivinhar”, afirmou João Gomes Cravinho.

O ministro referiu que o Governo “não permitirá que esta oportunidade e este investimento saiam de Portugal”.

“Primeiro, haverá negociações com os estaleiros. Obviamente temos de acautelar seja os interesses da economia nacional, seja as disponibilidades financeiras da Marinha. Há sempre aqui um trabalho a fazer e, portanto, não me posso comprometer até termos contratos assinados. Agora não vamos permitir, espero bem, que esta oportunidade e este investimento saiam de Portugal. Será, com certeza, um investimento feito em Portugal, para Portugal”, reforçou.

Segundo João Gomes Cravinho o período temporal de construção dos navios será de seis anos, “a uma cadência de um por ano”, num investimento 360 milhões de euros.

O governante disse ainda esperar que o Navio Polivalente Logístico, igualmente previsto na nova Lei de Programação Militar, também venha a ser construído pelos estaleiros da West Sea, em Viana do Castelo, apesar de considerar tratar-se de uma “matéria mais complexa”.

“É uma experiência que ainda não existe em Portugal e vai depender das especificações que foram feitas para o Navio Polivalente Logístico. Mas, a minha esperança é que toda a Lei de Programação Militar incluindo, obviamente, esse investimento tenha uma grande repercussão positiva para a economia nacional”, referiu.

West Sea referência mundial

No seu discurso, o presidente do grupo Martifer, que detém a West Sea, subconcessionária dos extintos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), disse que a construção naval que se faz naquela cidade “voltou a ser uma “referência mundial”.

Carlos Martins sublinhou que aquele contrato, assinado em 2015, dotou a empresa de “experiência e conhecimento necessários para já estar a apresentar propostas comerciais para a construção de navios semelhantes para outros países”.

“Queremos continuar a criar riqueza para quem aqui trabalha, para a região e para o país. Este estaleiro voltou a ser uma referência mundial nesta indústria”, referiu Carlos Martins durante a cerimónia presidida pelo ministro
da Defesa.

Carlos Martins adiantou que a construção dos dois NPO “ajudou a fazer renascer a capacidade de construir navios em Portugal”.

“Fomos competentes pela qualidade do projecto e da construção, pelo cumprimento de todos os prazos, do orçamento contratualizado e de todos os requisitos e especificações da Marinha. A construção naval aqui representada neste estaleiro está viva, forte e capaz. Por isso, estamos a trabalhar para podermos ser
contemplados com mais contratos como este”, referiu.

Dirigindo-se ao ministro da Defesa, Carlos Martins disse que a West Sea “está pronta para aceitar novos desafios que entendam confiar-lhe”, referindo-se à nova Lei de Programação Militar, que prevê um investimento de 4,74 mil milhões de euros no período 2019-2030.

Carlos Martins realçou que desde 2014, ano em que o grupo Martifer assumiu a subconcessão dos ex-ENVC, “já foram reparados mais de 200 navios e construídos 16, estando outros seis em construção”.

“Mais importante que isso estes estaleiros têm hoje cerca de 1 200 trabalhadores”, frisou.

O NPO Setúbal, hoje baptizado, é o quarto da classe Viana do Castelo, todos construídos em Portugal, juntando-se assim ao Viana do Castelo, Figueira da Foz e Sines. Estes navios vêm substituir as corvetas da Marinha com mais de 45 anos.

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