Diogo Vaz Marecos é o novo “homem forte” da Yilport em Portugal. É ele o único administrador português dos terminais de contentores de Leixões e Lisboa (Liscont e Sotagus) detidos pela holding turca.

TCL, Liscont e Sotagus partilham administração

Diogo Vaz Marecos assumiu este mês o cargo de administrador executivo da TCL (Yilport Leixões), a concessionária do terminal de contentores de Leixões. Jaime Vieira dos Santos, o último dos dirigentes fundadores da empresa, cessou  funções e aposenta-se hoje mesmo.

O novo Conselho de Administração da TCL integra agora apenas três elementos: Christian Blauert, CEO da Yilport Holding, Mustafa Kemal Erkanat, tido como o braço direito de Robert Yuksel Yildirim, o CEO do grupo turco, e o gestor português.

Diogo Vaz Marecos passa, assim, a ser o único administrador português de três dos quatro principais terminais de contentores portugueses.

Quem é Diogo Vaz Marecos

Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, especializado em Direito do Trabalho, Diogo Vaz Marecos chegou ao sector em Novembro de 2016, quando assumiu as funções de Director Legal Regional da Yilport Ibérica, a subholding onde a Yilport arrumou as suas participações nos terminais de Portugal e Espanha.

Antes, o gestor integrou vários escritórios de advogados e foi gestor de relações laborais na PT Comunicações e na Jerónimo Martins. Donde saiu, precisamente, para a Yilport Ibérica.

Em Julho do ano passado passou a integrar o Conselho de Administração da Liscont e agora, como o próprio confirmou ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS, acumula funções na Liscont, Sotagus e TCL.

Trabalhos de Hércules?

Diogo Vaz Marecos terá, assim, a partir de agora, o desafio de liderar os três terminais, num momento particularmente desafiante para todos eles, e em particular para a Liscont e a TCL.

Em Lisboa ainda se discute a renegociação da concessão do terminal de contentores de Alcântara, que implicará pesados investimentos na melhoria e expansão daquela infra-estrutura.

Em Leixões, a renegociação da concessão já foi feita, falta agora realizar os investimentos acordados, de cerca de 40 milhões de euros, sendo que já está a escoar o primeiro dos três anos disponíveis para tal.

Mas não só. A instabilidade socio-laboral mantém-se em Lisboa e parece poder ameaçar cada vez mais Leixões, face às crescentes investidas do SEAL, o sindicato dos estivadores que aposta em ser cada vez mais nacional.

Dúvidas e desconfianças

A opção da Yilport de concentrar, na prática, a gestão dos seus principais terminais lusos está a gerar algum desconforto, para dizer o mínimo, entre os membros das comunidades portuárias de Lisboa e Leixões, ao que o TRANSPORTES & NEGÓCIOS logrou apurar.

Teme-se pela perda de interlocutores locais, com conhecimento das realidades de cada porto e capacidade de decisão, e receia-se pela gestão à distância e pela uniformização das regras e do relacionamento com os mercados.

Os mais críticos, ou mais cépticos, lembram a recente coincidência das decisões de Leixões e Lisboa de reduzirem os dias grátis de parqueamento dos contentores nos terminais. Uma questão que, pelo menos no porto nortenho, não é dada ainda como encerrada.

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