Robert Yildirim sonha em colocar Leixões na Champions League dos terminais de contentores. Mas para isso terá de ir a jogo nos concursos públicos, avisa a ministra do Mar.

A Yilport aproveitou o lançamento oficial da expansão do Terminal de Contentores Sul para mostrar a sua visão para o Terminal de Contentores Norte. E que visão! Um terminal deep sea, com fundos de -16 metros e um milhão de TEU/ano de capacidade.

Com apenas 5,4 hectares de área, um cais de 360 metros e fundos de -10 metros, o Terminal de Contentores Norte de Leixões com os seus 15o mil TEU/ano é, digamos, o parente pobre, ou o patinho feio da concessão da Yilport. E ficou de fora da renegociação do contrato e do projecto de expansão.

Mas o grupo turco tem uma grande ambição para aquele espaço. E apresentou hoje a sua visão que, diga-se, vai um pouco, ou muito, ao encontro do que está previsto no PNI 2030 recentemente apresentado pelo Governo.

A proposta da Yilport prevê, numa primeira fase, o alargamento do cais (sobre o rio) em 4-6 metros e o seu prolongamento até aos 450 metros, com fundos a -14 metros, com isso aumentando a capacidade para 400 mil TEU/ano.

Em complemento, o terminal estender-se-ia para a área actualmente ocupada pela marina (que passaria para junto do terminal de cruzeiros), acrescentando mais 350 metros de cais e uma rampa móvel ro-ro de 32 metros, e respectiva zona de parque. E a capacidade do terminal subiria para os 700 mil TEU/ano.

Numa segunda fase, a Yilport propõe a construção de um novo cais, com 600 metros de comprimento e fundos de -16 metros, a localizar entre a actual marina e o terminal petrolífero. E assim se chegaria ao milhão de TEU/ano.

E assim se passaria de um terminal desadequado, com equipamentos em fim de vida útil e desadequados às operações actuais, para um terminal deep sea capaz de atrair os maiores navios do mundo e de recuperar as linhas que têm fugido para outros portos.

Nas palavras de Robert Yildirim, Leixões é a jóia da Yilport na Península Ibérica, mas ainda pode ser melhorado. E se o F.C. Porto dá cartas na Champions League, também Leixões o poderá fazer.

Ministra do Mar lembra concursos

O voluntarismo da Yilport não terá impressionado a ministra do Mar. Apesar das similitudes entre o proposto pelo grupo turco e o previsto no PNI 2030.

Em declarações ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS, Ana Paula Vitorino deixou bem claro que todos os investimentos “terão de ir a concurso público”. E afastou qualquer hipótese de nova renegociação da concessão actual.

Recorde-se que a ampliação do Terminal de Contentores Sul, hoje oficialmente lançado, tem como contrapartida o aumento do prazo da concessão, de 25 para 30 anos, actualmente o prazo máximo legalmente admitido.

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